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domingo, 04 de outubro de 2009
Finalmente, dona Romana
Só agora consigo falar de dona Romana, dois dias após partir de Natividade – TO. Escrevo de Bom Jesus da Lapa – BA, e o caminho até aqui não foi fácil. Sábado e domingo de estrada pesada, com parada no município de Barreiras.
Foi na rotina da estrada, entre plantações de algodão e grãos que pude refletir sobre esta personagem que encontramos pelo caminho. Quando chegamos ao sítio de dona Romana foi difícil não se sentir abalado com o jardim de esculturas de pedras e fios, ou com as paredes repletas de imagens que fazem o sincretismo de religiões africanas, cristãs e símbolos místicos diversos. Tudo feito pelas mãos desta senhora negra, de cabelos e roupas brancas.
Dona Romana diz ser orientada por vozes que indicam o que fazer. Além das obras de arte, o sítio guarda um estoque de roupas e mantimentos, mantidos pela senhora desde 1995 e que aguardam a catástrofe que, segundo ela, mudará o mundo. Romana me faz lembrar dos muitos profetas que saltam do agreste para a literatura, talvez com o diferencial do olhar simples e paciente que ela possui.
Dona Romana passa tranqüilidade. No centro do jardim, recebe cuidado maior a escultura primeira, mãe de todas as outras, onde aproveitei para fazer uma prece por todos nós em nossas estradas.
Dona Romana na sala de sua casa em Natividade (TO)
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