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  • terça, 20 de outubro de 2009

    Zé do Carmo e o anjo cangaceiro

    Um senhor magro e de pele morena se encontrava sentado, quase anônimo, no canto do pequeno salão do sobrado. A volta dele um grande número de pinturas e esculturas, todas, de alguma maneira, fazendo referência ao homem sertanejo. Algumas representavam a figura do cangaceiro com asas de anjo. 

    “Zé do Carmo” apresentou-se com simpatia, ao levantar-se de maneira firme da cadeira. Eu o havia perguntado sobre as obras e se poderia filmá-las. Não hesitou na resposta, disse que era o autor das mesmas e se eu quisesse poderia colher seu testemunho. De anônimo revelou-se uma pessoa sorridente, determinada e bem íntima da câmera. “Meu nome é José do Carmo Souza, o nome artístico é Zé do Carmo". Como se definiu. 

    Sua obra mais reconhecida é a do anjo cangaceiro, como indicou José do Carmo, apontando a grande escultura de mais de um metro na entrada da sua galeria. “Outro dia um casal francês queria comprar, mas eu disse que não vendo”. Falou gesticulando as mãos. Deixará a escultura para sua família, “aí eles vêem o que fazem”. Completou. 

    O anjo cangaceiro era um presente de Zé para o Papa João Paulo II, para ser entregue durante a visita do pontífice a cidade de Recife no ano de 1980. “A igreja não aceitou. Disseram que cangaceiro não pode ser anjo”. Falou o artista com voz amargurada e completou: “Vem gente de toda a parte conhecer o presente que foi rejeitado pela igreja”.  Na época a obra, e a atitude da igreja, geraram polêmica. 

    José do Carmo segue com o seu trabalho. Ao lado da pequena galeria fica o seu ateliê. Entre as obras empilhadas na pequena sala escura encontra-se a do Anjo Zumbi. Um quadro com mais ou menos um metro de altura, por 40 cm de largura que Zé está para apresentar em uma exposição. 


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